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Multieu

O guri jovem e franzino segurava uma pequena folha de papel arrancada do caderno que de tanta pressa havia rasgado um pedacinho do texto. Posso? Respirou fundo e começou a ler:

“Parado na frente do microfone e do resto da turma estava Yugo, um menino japonês pseudo-negro, tremendo, suando frio, achando que seu coração batia tão rápido e forte que seu som poderia ser captado pelo microfone denunciando a sua ansiedade e seu medo. Medo bobo. De criança. Não queria se expor e potencialmente receber um chapéu cônico de papel escrito “burro” que provavelmente nem caberia nessa cabeça gigante.”

Fechou os olhos. Não queria ver a reação das pessoas.

Anos depois os abriu. Ou simplesmente achou.

 

(Esse texto escrevi a muito tempo atrás, no começo de 2010, e a expressão “pseudo-negro” me incomodou, mas achei relevante manter e não simplesmente fazer um corte como se nunca existiu. Acredito que fez parte da minha formação passar por isso e também reflete um bocado do meu passado. Talvez escreverei mais sobre isso num outro post. – comentário feito em 2017)

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